Alexandre Curi anuncia filiação ao Republicanos para quinta-feira (03/04). A filiação ainda não foi formalizada. O poder real não está no cruzamento — está na ameaça do cruzamento.
A saída de Curi não é um evento isolado. É o quinto movimento de uma sequência lógica que redesenha o Paraná desde 22 de marco. Cada peça que sai do PSD não está sendo perdida — está sendo reposicionada.
Em 12 dias, o PSD perdeu Greca (MDB) e Curi (Republicanos, anunciado). Guto foi descartado para o governo. Sobrou no PSD: máquina do governo, orçamento, aprovação de 88,2% e a marca. Muito poder, mas sem rosto.
Mais votado do estado. Sexto mandato consecutivo como deputado estadual desde 2002. Capital eleitoral próprio.
Lista informal chega a 215 assinaturas. Quase metade dos 399 municípios do Paraná declararam apoio a Curi.
Controle da agenda legislativa. Neto de Aníbal Khury — herança política simbólica.
Pesquisa RIC/Instituto Paraná Pesquisas. Maior beneficiário da transferência entre todos os nomes testados.
| Partido | Ativos | Posição |
|---|---|---|
| PSD | Ratinho + Guto (enfraquecido) + estrutura estadual | Nome indefinido |
| Republicanos | Curi + 189 prefeitos + capilaridade interior | Pré-candidato ao governo |
| MDB | Greca + capital Curitiba + experiência executiva | Possível vice |
| PL | Moro + Flávio + 5 prefeitos + Filipe Barros + Deltan | Sem máquina municipal |
| PP+UB | ~72 prefeitos + R$954M em emendas | Independente, negocia por interesse |
Não é destino aleatório. O Republicanos de Marcos Pereira tem 565 mil filiados, 41 deputados federais, presença em 2.200+ municípios e 429 prefeituras. As negociações Marcos Pereira–Flávio Bolsonaro se concentraram nas eleições estaduais — a filiação de Curi e peça da engenharia nacional de 2026.
| Cargo | Nome | Partido |
|---|---|---|
| Governador | Alexandre Curi | Republicanos |
| Vice | Rafael Greca | MDB |
| Senado | Filipe Barros ou Álvaro Dias | PL ou MDB |
| Presidente | Flávio Bolsonaro | PL |
Arranjo que acomoda PSD, PL, Republicanos e MDB. Ratinho mantém influência. Flávio ganha palanque. Curi ganha o governo. Pergunta-chave: Ratinho está sendo atropelado por essa articulação ou é co-autor dela?
Precedente: ACM Neto na Bahia (2022) — 54% em agosto (Datafolha), 40,8% no resultado final (-13,2pp), contra governador com ~80% de aprovação. Moro tem cenário pior: governador com 88,2%, sem estrutura, sem gestão.
Estamos em 31/03 (terça-feira). Filiação marcada para 03/04 (quinta) — mesmo dia em que a janela partidária se encerra. Ratinho tem até quarta (01/04) para reagir.
| Sinal | Significado |
|---|---|
| Ratinho anuncia "Curi é o candidato" até quarta | Pressão funcionou — Curi fica no PSD |
| Ratinho mantém silêncio até quarta | Curi formaliza na quinta — ruptura real |
| Ratinho anuncia outro nome | Curi vai de verdade — competição aberta |
| Curi cancela viagem a Brasília | Acordo de bastidores alcançado |
Nenhum governador que completou segundo mandato no Paraná elegeu seu sucessor. Mas o padrao não se aplica automaticamente a Ratinho: nenhum deles governava com 88,2% de aprovação.
| Governador | Aprovação ao final | Contexto | Resultado |
|---|---|---|---|
| Lerner (2002) | Desgastado | Governo questionado, base fragmentada | Sucessor ficou em 3º |
| Requiao (2010) | Polarizador | Rompeu com o próprio vice | Perdeu para Richa |
| Richa (2018) | Em colapso | Preso durante a campanha | Sucessora fez 15,5% |
| Ratinho (2026) | 88,2% | Aprovação recorde, base disputando entre si | ? — sem precedente |
Álvaro Dias chegou a 90% (Ibope, 1988), mas no início do primeiro mandato — caiu para 66% ao final. Ratinho e o único a manter 88,2% na reta final de um segundo mandato.
Ruptura real. Venceu contra a candidata de Richa no 1º turno com 60%. Richa estava sendo preso — toxico.
Relação intacta com Ratinho. O que quebrou foi a paciência, não a lealdade. "Se você não me escolhe, eu me escolho — mas continuo seu aliado."
| Superfície (o que parece) | Profundidade (o que pode ser) |
|---|---|
| PSD perdeu Curi e Greca | PSD distribuiu aliados em legendas que ampliam o arco |
| Fragmentação da base | Ocupação de múltiplas legendas para cerco eleitoral |
| Ratinho indeciso | Ratinho esperando peças se posicionarem |
| Curi rompeu com Ratinho | Curi ampliou o raio de aliança de Ratinho |
Curi não cruzou o Rubicão — anunciou que vai cruzar. Ultimato clássico na teoria dos jogos. Se Ratinho ligar antes de quinta, Curi pode simplesmente não ir. Custo de reverter e zero; custo de ignorar e altíssimo.
Curi fica no PSD como candidato. Pressão funcionou.
Curi sai de verdade, mas a porta para aliança permanece aberta.
A lógica eleitoral empurra todos para a mesma chapa por necessidade.
Probabilidade minima — todos sabem que fragmentação = Moro vence.
Nos quatro cenários, Curi ganha. Fica → candidato PSD. Sai → dono do Republicanos no PR com 189+ prefeitos. Estratégia dominante — não existe cenário em que Curi perde. Análise CUBE — Teoria dos Jogos Aplicada
Enquanto olham para Curi, o que Ratinho negocia com Marcos Pereira e com a Federação PP+UB?
Se a coalizão invisível e real, ele articula o arranjo no silêncio. Silêncio público = atividade privada.
Moro: "limpar o Paraná" — mas Paraná não precisa ser limpo (88,2%). Curi: "continuidade" — e o que o eleitor quer.
Curi governando = palanque garantido para Ratinho em 2030. O Senado decide quem indica STF em 2035-2050.
Curi anunciou, não formalizou. 48 horas de jogo.
189 prefeitos no manifesto formal. Força real.
Moro tem pesquisa, não estrutura. 37,6pp de inflacao.
A matemática força a coalizão. Fragmentados perdem; unidos vencem.
Ratinho joga 2030, não 2026.
Ratinho e co-autor ou espectador da redistribuição?
Curi aceita ser peça ou quer ser jogador?
PP+UB se alinha? Qual o preço?
O que Marcos Pereira quer em troca no Paraná?
| Sinal | Interpretacao |
|---|---|
| Ratinho convoca Curi até quarta (01/04) | Blefe funcionou |
| Curi viaja a Brasília na quinta | Filiação real |
| Marcos Pereira aparece no Paraná | Conexão federal ativada |
| PP+UB se posiciona | Coalizão se forma ou se desfaz |
| Ratinho anuncia licenca do cargo | Decisão já tomada nos bastidores |
Quando César cruzou o Rubicão, disse "Alea iacta est" — a sorte esta lancada. Não havia volta.
Alexandre Curi anunciou que vai cruzar. Mas ainda não cruzou. E é exatamente isso que faz desta semana a mais importante da política paranaense desde a desistência de Ratinho.
O poder real não está no cruzamento — esta na ameaça. Enquanto Curi não formaliza, todos precisam agir como se ele fosse formalizar. Ratinho precisa decidir. Moro precisa calcular. A Federação precisa negociar.
Um homem que ainda não assinou uma ficha de filiação esta movendo o tabuleiro inteiro.
Isso não e acidente. E poder.
Próxima edição: após 03/04 — "O Rubicão Cruzado" ou "O Rubicão Evitado"